segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

SONETO Nº 29

Acostumado estou a ser só.
E assim vou vivendo meus dias,
Cultivando minhas manias;
Atando e desatando o nó

De fazer quentes as noites frias
Nas quais a solidão é de dar dó.
Músicas, livros e calma de Jó
Trazem-me noites menos vazias.

Mas existe um momento no qual
Nada preenche o grande vazio
Que no meu peito se deita fatal.

É quando nada aquece o frio
Dessa tua ausência abissal.
É tanta dor que nem choro, nem rio.

4 comentários:

Alessandra disse...

Estava pensando sobre isso, Marquinho.
Pode ser assustador... estar só.
Passar o dia só... só e apenas com a própria companhia, dias e dias a fio, como um ermitão.
Qual é o propósito disso? Será um remédio amargo imposto por Deus para nosso crescimento espiritual?
Você fica apático? Sem força? Sem brilho? Arrastando-se? Sem vida?Parece estar de ressaca? Ressaca moral?
O que fazer?...Entregar-se de vez a essa apatia e deixar ela vencer?
Adianta?
Parece que se deixar ela vencer, terá o trabalho de se restabelecer novamente.
Quem é mais forte: o ser glorioso, esplêndido, magnífico, ou a fraqueza, inércia, apatia?
Difícil, todas são forças poderosas.
Eu sou uma guerreira, filha da luz divina ou uma perdida no meio das trevas?
A minha inteligência é capaz de ser útil , me ajudar e ajudar o próximo, ou a minha inteligência serve apenas como decoração na minha mente?
Tudo indica que temos o poder de ESCOLHER, Marquinho.
Tudo dá trabalho.
Estar só e ser feliz dá muito trabalho.
Ter uma companhia? Dá muito trabalho também!!! rs rs rs
Conservar uma companhia? Uau, é um exercício de tolerância e conciliação.
Você já ouviu falar em RESILIÊNCIA?
Pelo que entendo, resiliência é a capacidade de enfrentar, viver e superar as situações difíceis.
Sabe quando uma superfície está escorregadia e você passa sobre ela tentando se equilibrar e se manter firme, EM PÉ?... Isso que é resiliência.
Penso que é uma habilidade a ser conquistada, o que acha?

Anônimo disse...

Caro poeta escreves com maestria. O romantismo clássico fica transparente em seu versar. Agora é lindo na escrita ser romântico porque na vida não temos este lirismo e a dor é uma escolha. Talvez lhe falte o diálogo com esta pessoa tão amada. Te defino como um poeta apaixonado. Seja um pouco parnasiano e sofra menos. Me deliciei lendo seus sonetos. Já fiquei sua fã e voltarei em breve.
Ana Maria Lima

Luciana Zimmermann disse...

IDENTIFICAÇÃO...

Estou acostumada a ser só,a estar só.

Vivo assim meus dias,mesmo rodeada do ser humano.

Sim,cultivo minhas manias,leituras,muitas coisasss...

Mas ,também cativo e no fim procuro estar só.

Músicas, livros e calma de Jó ?
Só não trago em mim a calma de Jó.

Trazem-me noites menos vazias ?
mas isto não me faz dó....

Concordo contigo,grande poeta:
"existe um momento no qual
Nada preenche o grande vazio
Que no meu peito se deita fatal"
(...)Dessa tua ausência abissal.

Eu já não sinto "mais dor, nem choro, nem rio".

Elainesartori disse...

É quando nada aquece o frio
Dessa tua ausência abissal.
É tanta dor que nem choro, nem rio.

Nossa amigo, quanta verdade existe neste texto.
Essa dor da solidão que nos endurece o coração, nos faz perder a confiança até na vida.
Como dói!
O pior é qie não tem o que fazer, não é amigo?
Esperar...esperar..esperar...
Beijos querido poeta.
Elaine