quarta-feira, 21 de novembro de 2007

SONETO Nº 25

A mim não permito temer nem o real, nem o fantasioso.
Viver fundamenta-se em consentir toda possibilidade;
Despojar-me das ansiedades, das posses e da vaidade.
Nada busco para mim com instinto de um lobo furioso.

Mas quero abarcar o infinito, o muito além, a eternidade;
O mais distante dos sonhos, por mais que seja acintoso.
Quero a mais plena felicidade! Disso sim, sou desejoso!
Entretanto o não alcançar jamais significará calamidade.

Sei que quase nada será como desejo ou como suponho;
Por certo não será isso a fazer-me padecer ou desesperar.
Todavia, de manter-me em devaneios não me envergonho.

Não sofro no quanto se esvai sem ter tido como realizar.
Mais vale ter uma vida sem a chance de viver um sonho,
Que passar toda a vida na pusilanimidade de não sonhar.

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