segunda-feira, 29 de outubro de 2007

SONETO Nº 24

Não mais haverá noite soturna no breu da solidão silente;
Tampouco estarão tristes as ruas, ao meu caminhar vadio.
E podem me chamar de louco, pois mesmo aflito, agora rio.
Rio numa incontida e total certeza de ser eu um novo ente.

E, querendo partilhar do meu contentamento, a ti propicio
Saber do que a mim traz novo alento e deixa tão contente.
Digo-te, profiro aos ventos, brado, proclamo a toda gente...
É agora minha a beleza infinda, que há muito reverencio!

Doravante permito que a usem. Ao egoísmo não sou dado.
Então a mim agradeça o lobo que uive, ou o inseto que zua!
Sou senhorio de São Jorge; benfeitor do casal enamorado;

Mas lembre-se sempre: não é de outrem; muito menos tua!
Agora sou possuidor orgulhoso, embora nem tão abalizado.
Ofertaram-me como regalo, e aceitei de bom grado, a Lua.

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