segunda-feira, 22 de outubro de 2007

SONETO Nº 23

De que lhe importa saber dos meus caminhos, quando caminho sem você?
Acaso perguntas ao vento que, sem pudor ou licença, acaricia teus cabelos:
- Por onde passastes, vento? Que fizestes antes de aqui deixar seus zelos?
Ou apenas deixa-o, suavemente, desalinhar-lhe as madeixas, sem mercê?

Caminho por onde me levam os sonhos, as vontades, com ou sem desvelos.
Mas são meus os tais caminhos; e comigo os guardo, sagrados, qual macê.
E por serem tão somente meus, só a mim interessa se são de chita ou glacê.
Reservo-te o direito de caminhar, também assim, sem que me cause flagelos.

Então não perguntes o que a ti não indago. Guarda-te e guarda-me também!
Não busques os meus guardados; e dos seus, para ninguém, faças anúncio.
Tesouros devem ser guardados, e a tua individualidade é teu precioso bem!

Dá-me só aquilo que for meu; como, a ti, sempre doarei o teu, livre e cônscio.
Deste modo, terei de ti o que a mim pertence; o que me faz jus, e nada além!
Sempre estive onde disser que fui; bem como nunca fui d’onde puser silêncio!

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