quinta-feira, 18 de outubro de 2007

SONETO Nº 22

Que posso dizer-te, do que em mim tenho guardado,
Diferente do que estás, há muito, cansada de saber?
Como criar palavra nova que encerre o meu querer?
Tudo soa-me pouco; tão parco, que quedo baldado.

Apequenar a alma é cousa que não posso cometer;
Mas qual vocábulo seria tão preciso e bem-fadado
A ponto de traduzir um sentimento assim alindado,
Sem cometer injúria contra o que arrisco adscrever?

Admoesto a ridícula imprecisão do meu conhecimento,
Tão parco, vil, esquálido e sem a necessária serventia
A fim de conseguir auxiliar-me em tal empreendimento.

Do que em mim tenho guardado, dizer-te eu gostaria,
De forma diversa: fazendo jus à tão nobre sentimento.
Mas só sei dizer que amo-te; dia e noite, noite e dia!

Um comentário:

Layrtthon Oliveira disse...

Dizer não é preciso, traduzir é supérfluo. Basta o sentir, ainda que tal sentimentos traga outros meio azedos.
Mas... para nós - que temos necessidade de rasbicar coisas numa coisa branca (ou não) - essa teoria também não basta.
Muito bom o soneto, muito bom!
Li poucas coisas suas, mas gostei do pouco que li.