terça-feira, 28 de agosto de 2007

SONETO Nº 18

Da vida, de mim, não espere que lhe fale.
Nada sei da vida que lhe possa ser útil.
Não penses, porém, que eu a levo fútil.
Tenho por ela respeito e sei quanto vale.

Sei que é formada de um todo consútil;
Onde cada ponto que compõe o xale
Leva-nos a correr um determinado cale
Desaguando no hoje deste mar tão sútil.

Dela, a fundo, sabem doutos da ciência
E aqueles que mergulham fundo no ser.
Por esta razão, clamo-lhe complacência.

Perdoa-me pois. Não vás me acometer!
Pois aos sábios não faço concorrência.
Da vida, o que sei, é, tão somente, viver
!