terça-feira, 21 de agosto de 2007

SONETO Nº 17

Os seixos, parados nos leitos dos rios,
Perdem suas arestas bem aos poucos.
Assim também se formam os loucos,
Nas torrentes desses dias tão vazios.

Falam, sem fadiga, a ouvidos moucos
(Mas isso não macula os seus brios).
Aquecem a vida somando olhares frios;
Tornando em música grunhidos roucos.

E, desse jeito, lentamente vão perdendo
As bordas e quinas da dita normalidade,
Criando o mundo novo aonde irão vivendo.

Polindo a alma nos sonhos de verdade,
Fazem, da rocha do que vinham sendo,
Os seixos que cobrem as ruas da cidade.

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