sexta-feira, 17 de agosto de 2007

SONETO Nº 16

Pairando por sobre a turba medíocre
Vislumbro, ao longe, a cor da saudade.
Ela, entretanto, mimetiza a verdade
Entre tons adocicados e de gosto acre.

Ah, sentimento tão repleto de vaidade!
Porque maltratas quem te guarda em lacre,
Se não há nisso nada ou razão que lucre;
Não há como aumentar-se mais, oh saudade?

Acaba, pois, com tal imensa desfaçatez
E mostra-se inteira como já, em mim, te sinto.
Abarca e aprisiona este peito de uma vez!

Tenhamos honestidade admitindo inextinto
O desejo, a dor, a esperança de um talvez!
Sejamos sinceros, já que, para ela, minto!

Um comentário: