quinta-feira, 29 de março de 2007

SONETO Nº 08

Fita-me e sou presa deste olhar aquilino
Imoto, morto está qualquer defendimento
Assim, entregue, em irrestrito abatimento
Cá estou, perdido, sem qualquer baculino

Tu, sorris, sem sequer algum condoimento
Sabendo-me encarcerado ao teu cristalino.
Ensaio, mas não consigo alçar vôo cabalino;
Pégaso, mesmo sem voar, em insofrimento.

E de que importam subir, adejar, planar...
Em teus olhos, cativo, gozo mais liberdade;
Sinto-me mais alado; são meus, céu e ar.

Vôo muito além do tempo, na eternidade;
A vida além da vida vem a se descortinar
Fixidez transmutada em actuosidade...

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