quinta-feira, 29 de março de 2007

SONETO Nº 05

Sei que só queres causar-me apreensão
Com ar de ofendida, falso choro e beicinho,
Como tivesses levado lapada de buinho
E carecesse de dengo, ajuda ou defensão;

Ficas sempre e sempre assinzinho
Toda vez que entre nós há dissensão.
Para prever essa infalível propensão
Não me é necessário gênio de adivinho.

Depois, então, vem a fúria de amazona,
O ferrão impiedoso de um cazuzinha.
Transmuta-te e personificas a Bellona.

Mas sei que no fundo dessa bela alminha,
Às vezes tão briguenta, noutras, adulona,
Guarda-me em aconchegante camarinha.

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