quinta-feira, 29 de março de 2007

SONETO Nº 04

Como água e fogo, nossa diferença é abissal.
Tua eterna flama transfigura-me em acrimante
E o que descortino não é, por nada, animante;
Caberá-nos, algum dia, um momento avençal?

Atascado, perco-me neste imensurável borraçal,
Com o pretensioso raciocínio lógico do aritimante,
Acabo por tornar-me, tão somente, blasfemante.
Arre! Que declínio de absurdez plena, colossal!

Nosso afastamento é, pois, vogar mais condicente.
Realizado com a destreza de mestre em halurgia,
Interromperá esta nossa balbúrdia depascente.

A vida será assim, afinal, uma eternal meliturgia;
E esta dor, pouco a pouco, seguirá evanescente;
Mas qual anjo nos proverá de tão urgente teurgia?

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