quinta-feira, 29 de março de 2007

SONETO Nº 03

Teu sonho de felicidade, esperança incessante,
A ti sempre domina, com veemência absolutista;
Colocando-te em postura errônea, acanonista,
Como se todo o resto fosse, então, coisa passante.

Desta visão deturpada, não posso ser acionista,
Por mais que, às vezes, me pareça interessante.
Dominado não posso ser, de loucura tão possante.
Busque, então, outro incauto para ter como adesista.

És escravo e não sentes, por ser isto costumeiro,
Desta ilusão, vão devaneio, que lhe toma abarcante.
Ela se esvairá aos seus olhos, subindo como fumeiro.

Quando o real mostrar-se a ti, o sentirás degradante;
Ficarás sem pouso certo, assim como pássaro rameiro.
Busque então abrigo certo neste amigo discordante.

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