quinta-feira, 29 de março de 2007

SONETO Nº 02

Em tempestade furiosa ou plena calmaria,
Navego mares sem alterar meu semblante;
Sou da linhagem de Netuno, sou atlante,
Orgulho tenho em honrar a nossa armaria.

Guio-me a observar cada estrela cintilante,
Sigo as vagas escumantes em eterna romaria;
Mas, por vezes, em clara e manifesta ciumaria,
O firmamento não se me apresenta estelante.

Então faço uso do instinto de Tritão herdado,
Sem temor, determinado, sigo rumo ao infinito;
Certo de que, para uns, passarei por adoudado.

Meu porto seguro se encontra, há muito, definito.
É aqui e é alhures; a qualquer instante trasladado.
É onde nunca alcançarás no seu sonho pequenito.

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